25/04/2017

O parto na Itália: priorização do parto natural

Hoje decidi falar sobre o parto aqui na Itália. 
Primeira coisa: muito diferente do Brasil pois prioriza muito o parto natural. 

Na Itália a média de partos naturais é de cerca 64% dos partos. Uma média ainda baixa perto da média Europeia, de cerca 73%, mas ainda assim, bem mais alta que a brasileira: 31%.
O número de morte em decorrência de complicações no parto na Itália é de 50 mortes por ano, no Brasil esse número é incrivelmente maior (mesmo o país tendo uma população cerca 3,4 vezes maior),  de mais de 1500 mortes por ano, número influenciado pelo número de cesarianas desnecessárias realizadas. Triste, fico feliz de estar tendo minha filha na Itália também por isso. 
Mas vamos ao que interessa.



O parto natural na Itália


Quando fiz o curso pré-parto explicaram como é o "plano de parto" geral do hospital e todas as instruções desde o início do trabalho.


Entrando em trabalho natural

A sugestão do hospital Gemelli, o qual eu escolhi para parir, é a mãe ir ao hospital, em caso de entrar em trabalho de parto natural, mais especificamente, ao Pronto Socorro Obstétrico do hospital escolhido apenas quando:


  • está tendo contrações no intervalo de 5-7 minutos, por um período mínimo de 2 horas;
  • perda de água (bolsa rompida;
  • perda de sangue.


É inútil ir antes disso, pois podem te mandar de volta pra casa e orientar a aguardar, por isso, importante ter calma e seguir as recomendações. 

Caso não entre em trabalho expontâneo, parte o plano de indução, mas quando? Quando se chega a 41 semanas +2 ou +3 (salvo específica orientação, claro. No meu caso, ao completar 40 semanas, se não entrar em trabalho natural, me interno pra indução, devido à uma doença autoimune da tiróide). 


Métodos de indução do parto (seguindo ordem de prioridade de procedimento):



Métodos não farmacológicos (não invasivos):

  • isolamento das membranas (descolamento do saco amniótico e paredes uterinas), que ajuda a induzir o rompimento do saco e a entrada em trabalho de parto;
  • introdução de um catéter, no qual é presente um tipo de bexiga que expande internamente e estimula a dilatação mecânica.


Métodos farmacológicos (invasivos): amadurecimento do útero com substâncias químicas até atingir os 10 cm de dilatação necessários para o parto normal. 

  • prostaglandina (introdução em forma de gel, tampão tipo Tampax ou então administração via oral): para estimular o útero e começar as contrações. A escolha da administração via oral é feita principalmente se se tem perda de líquido mas não tem nenhuma contração. 
  • ocitocina na veia: em último caso, depois de utilizar ao menos uma das tentativas anteriores e, em caso de situação favorável e pelo menos 2 cm de dilatação e descolamento do colo uterino. 
  • ultimissimo caso: rompimento das membranas

Na Itália fazem a episiotomia?



A episiotomia é o corte que se faz entre a vagina e o ânus para facilitar a saída do bebê. Aqui na Itália o corte é efetuado somente em casos extremos, para evitar a dilaceração dos tecidos vaginais, portanto, evitada ao máximo.

Anestesia Epidural


A anestesia epidural é efetuada para amenizar a dor do trabalho e é uma escolha da mãe fazer ou não. Alguns hospitais oferecem a anestesia gratuitamente, se for realizada uma prévia consulta com o anestesista, outros hospitais só oferecem a opção a pagamento. Eu fiz a consulta e espero não precisar pedir, mas se precisar, tenho o ok do anestesista.


Quando se faz um parto cesáreo?


Um parto cesáreo é efetuado na Itália em caso de algumas condições específicas da mãe, problemas durante a gestação e assim, um parto cesáreo é programado. Ou então, caso o trabalho de parto natural falhe e as condições da mãe e bebê entrem em risco (como o sofrimento fetal por exemplo), partindo assim para a cirurgia. 


É possível ter um parto natural depois de ter feito um parto cesáreo do filho anterior?


Sim, aqui é possível.

Em 2012 a Itália aderiu junto com outros 5 países (Finlândia, Suécia, Irlanda, Países Baixos e Alemanha) ao Optibirth trial, um projeto Europeu que envolveu 15 hospitais em 3 países (Alemanha, Irlanda e Itália) com baixo número de partos naturais após um parto cesáreo. Desde então, o número de partos normais pós cesarianas só vem aumentando. O Gemelli é um dos hospitais que incentiva o parto natural também nessas condições, outros já não levam adiante o procedimento. Por isso, se deseja ter um parto natural mesmo depois de ter feito cesárea do filho anterior, consulte o hospital onde deseja parir. 


Curiosidades:


* A média de um trabalho de parto no hospital Gemelli é de 12 a 14 horas. 
* A mãe permanece na sala parto pelo menos por duas horas após dar a luz, o bebê muitas vezes fica com a mãe o tempo todo, salvo o tempo da consulta com a neonatologia para controles.
* A mãe fica internada na maternidade por no mínimo 2 dias e no máximo 3 (seja parto natural ou cesáreo).


Falta pouco!
Vem Laura!

Alla prossima e baci a tutti!





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